Na Rússia até os músicos amam o xadrez!


Quando estudei na Rússia, refiz o curso de contraponto que já havia feito completo aqui no Brasil. O método foi desenvolvido pelo meu xará, o compositor Serguêi Taneyev. O curioso para mim, porém, foi que, a forma de pensar a construção do contraponto, me pareceu algo semelhante à estrutura de um jogo de xadrez.
Não por acaso acabei sabendo que outro xará meu, o grande compositor Serguêi Prokofiev – também filho de um Sergio! – tinha grande paixão por xadrez.
A paixão de Serguêi Prokofiev pelo xadrez era tão intensa quanto seu amor pelo piano, a ponto de ele muitas vezes deixar de compor para atuar como jornalista e cronista em torneios russos. O compositor jogava de forma extremamente agressiva e ofensiva. Sua maior glória nos tabuleiros ocorreu em 1914, durante uma exibição de partidas simultâneas em São Petersburgo. Prokofiev enfrentou ninguém menos que o cubano José Raúl Capablanca, considerado um dos maiores gênios e campeões mundiais da história do xadrez. Mostrando uma habilidade surpreendente, o jovem músico conseguiu derrotar o campeão mundial em uma das mesas. Anos mais tarde, os dois se tornaram grandes amigos, e Capablanca chegou a visitar Prokofiev nos bastidores de suas óperas para jogarem partidas rápidas de aquecimento.
E para não acharmos que Prokofiev era uma carta muito fora do baralho, em certa ocasião enfrentaram-se em partida de torneio de xadrez em Moscou, nada mais, nada menos, do que Serguêi Prokofiev de um lado e o grande violinista David Óistrah do outro!
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