PAULO SZOT, MARTA MAULER E FERNANDO TOMIMURA


Quando tive o privilégio de dirigir a canção eslava no Theatro Municipal
Para falar deste evento que fez parte da série “Vesperais Líricas”, começo com uma promenade pela história da canção: era predominantemente polifônica – várias vozes independentes – na Idade Média e até o Renascimento, como as chansons francesas e os madrigais italianos.
No século XVII, com o Barroco, surgiu a monodia acompanhada, uma única linha vocal com suporte instrumental. Desenvolveram-se também a ópera e as cantatas.
Já com o Classicismo, no século seguinte, buscou-se um contorno mais limpo e equilibrado. Era a época de Haydn e Mozart.
A partir do século XIX veio o Romantismo. Com ele o ápice do Lied alemão, com figuras do porte de Schubert, Schumann, Brahms e Wolf. A seguir ficou cada vez mais difícil falar em movimentos regionais pois a informação corria cada vez mais rápido influenciando a todos.
Para fazer o recorte da canção no mundo eslavo é importante lembrar que até o século XVIII era um mundo distante dominado pelo canto litúrgico ortodoxo, estritamente a capella pois os instrumentos são proibidos nesta igreja. Mas também houve, aos poucos, uma importante influência das várias manifestações folclóricas advindas de situações como colheitas, casamentos, e situações cotidianas.
Com as reformas de Pedro e Catarina, na Rússia, a corte imperial importou músicos italianos e franceses. Ocorreu a fusão do estilo ocidental com a língua eslava, dando origem ao romance russo, uma canção urbana de caráter melancólico e sentimental que se tornou imensamente popular.
Enquanto isso, a trajetória da canção na Polônia refletia a luta do país por sobrevivência política, preservação cultural e a busca por uma identidade artística própria.
Assim foi esse lindo evento em 1.997 com obras dos poloneses Moniuszko, Chopin, Zelenski, Karlowicz e Gall e dos russos Gretchaninov, Tchaikovski, Rachmaninoff e Schostakovitch.
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